Por José Eduardo
O mundo é um misto de tudo. E um dos maiores apelos do mundo é a cultura. E por que? Porque a cultura é o resultado do processo dos costumes, o etos. Isto torna-se tradições, e como as clãs no passado necessitavam de afirmações para serem notadas e respeitadas, isto foi se consolidando como algo intocável. Eu vou citar um exemplo muito objetivo quanto a esta questão. Lendo um periódico da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) sobre a evangelização dos índios Terena no Matogrosso (deixarei o periódico disponível ao final deste artigo)[1], que apesar do caso em si não afirmar que todos os Terenas foram de fato convertidos, pois muitos deles estavam expostos a disputas político-religiosas entre si para se afirmarem na "sociedade civilizada", o que temos em curso é que, os Terenas de 1860-1960 nunca mais foram os mesmos. Uma das evidências é que, na disputa pela evangelização deles entre católicos e protestantes, e busca dos próprios Terenas pela afirmação na "nova sociedade", eles em parte eram paroquiais e romanizados e em parte eram protestantes, mas em muitos casos, o xamanismo os unia novamente, mesmo porque, do ponto de vista sociológico, o xamanismo era também uma forma de equilibrar a balança cosmológica dos terenas[2]. O xamanismo é um ritual ancestral para se estabelecer contato com os espíritos. O que estou querendo dizer com isso é que, os próprios Terenas em sua grande parte adaptou a sua cultura indígena, convivendo com o cristianismo e o xamanismo ao mesmo tempo. Os antropólogos, sociólogos, ativistas e simpatizantes de ideia de que nenhuma cultura deve ser modificada por elementos externos parecem não considerar que os próprios cultivadores das suas culturas muitas vezes não querem essa defesa. E este é só um lado da questão. Não estou nem entrando na parte em que Jesus Cristo entra nesta questão. Até aqui só estou acompanhando o processo pela perspectiva dos Terenas que, aproveitando o momento de autoafirmação, permearam o cristianismo a sua cultura, fazendo modificações internas na ética da tribo o que é óbvio. Ao ler o periódico, você terá esta clara noção.
RESPOSTA 1
"Em que sentido não deixa de ser judeu? Porque para eles o judaísmo é uma identidade nacionalista e uma religião. Em certo sentido, um judeu convertido terá que abandonar o etos religioso que é parte da cultura judia. Por lá essas coisas se misturam."
Há pessoa que realmente, Jesus esteve e está preocupa que um cristão viva para reafirmar suas tradições culturais seculares.
ARGUMENTO 2 - JESUS ERA JUDEU (LOGO ISTO É BASE SUFICIENTE PARA SAIRMOS EM DEFESA DA CULTURA?)
"Muito bom, Jesus é judeu inclusive"
Claro, o melhor argumento é que Jesus era judeu, isto reforça o imaginário. Mas nem se deu o trabalho de verificar as "entrelinhas" que evidenciam os reais fatos.
RESPOSTA 2
"Ele foi judeu. Por exemplo, quando ele voltar, ele não virá como um ser étnico, mas celestial. Até mesmo Paulo, que foi um tradicional judeu considerou isso como perda para se aproximar de Cristo (Fp 3.1-8). Jesus não chamou ninguém a apegos culturais."
Eu cito o texto de Filipenses 3, e nem fui tão a fundo nas palavras mais "politicamente incorretas" de Paulo que diz que considerava tudo como esterco. Mas o erro da excessiva defesa da cultura secular continua:
ARGUMENTO 3 - JESUS ERA JUDEU (LOGO ISTO É BASE SUFICIENTE PARA SAIRMOS EM DEFESA DA CULTURA?)
Fisicamente? Então a Jesus resta isto?
RESPOSTA 3
"Não acho que alguém precise de fato romper com sua cultura, mas isso ocorre naturalmente no cristianismo, quer pela oposição que a cultura secular faz a fé, quer porque Jesus Cristo irrompe com isto. Culturalmente ele nem deveria pisar em Samaria, mas fez isso."
Se o fato de Jesus ser fisicamente ser judeu fosse tão relevante, o que ele estava fazendo em Samaria, sendo judeu? Ele estava lá como judeu ou como Messias?
A piedade cristã exige de nós rompimentos, mas não desafetos. Uma coisa é bem diferente da outra. Talvez, no imaginário coletivo, a cultura seja aquela fonte primitiva de segurança. O que é um ledo engano. Não estamos seguros nela. Ela jaz no mundo que trás aflições. Por outro lado, nos asseguramos em Jesus Cristo, firmeza nossa.
Solus Christus
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[2] Protestantismo a Moda Terena, pg. 135-136 (https://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/bitstream/prefix/2259/1/protestantismo_a_moda_terena.pdf)
[3] Indígenas terena têm rede de igrejas evangélicas - Artigo da Revista Ultimato de 2013 - https://www.ultimato.com.br/conteudo/indigenas-terena-tem-rede-de-igrejas-evangelicas
[4] Conheça a CONPLEI - https://www.conplei.org.br/